A Polícia Federal abriu uma investigação preliminar após o disparo de alertas falsos da Defesa Civil que atingiram milhões de celulares em diferentes regiões do Brasil na noite de sexta-feira (19) e na madrugada de sábado (20).
As mensagens, que continham termos impróprios e conteúdos como “misantropia” e “ataque alienígena”, foram enviadas para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco, além de municípios em outros estados, incluindo Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
De acordo com informações da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, as mensagens foram disparadas a partir de credenciais de acesso vinculadas a agentes da Defesa Civil do Estado do Pará. Os envios utilizaram categorias oficiais de alertas, como alagamentos, deslizamentos e tornados, o que aumentou o alcance e a credibilidade das notificações.
A cronologia dos disparos aponta que os primeiros alertas começaram por volta das 23h41, no Rio de Janeiro, e seguiram durante a madrugada, atingindo diversas localidades em sequência.
- 23h41: Estado do Rio de Janeiro recebe o alerta “Defesa Civil:misantropo ADRESS RJ burros dms pprt” na categoria “deslizamentos”
- 23h45: Curitiba recebe o alerta “Defesa Civil:misantropia” na categoria “deslizamentos”
- 1h20: São Paulo recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “alagamentos”
- 1h21: Rio de Janeiro recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “alagamentos”
- 1h21: Distrito Federal recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “alagamentos”
- 1h21: Rio Branco recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “alagamentos”
- 1h22: Estado de Mato Grosso do Sul recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “tornado”
- 1h22: Salvador recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “alagamentos”
- 1h22: Belo Horizonte recebe o alerta “Defesa Civil:ATAQUE ALIENIGENA, HUMANOS CHEGAMOSmisantropo” na categoria “tornado”
- 1h23: Estado de São Paulo recebe o alerta “Defesa Civil:misantropi4” na categoria “alagamentos”
Segundo documento encaminhado à Polícia Federal, há indícios de uso indevido dessas credenciais e também de falhas no sistema de restrição territorial, já que os alertas foram enviados para regiões fora da área de atuação autorizada dos usuários envolvidos.
A investigação aberta pela PF é uma etapa preliminar, que antecede a possível instauração de um inquérito policial. A corporação possui uma diretoria especializada em crimes cibernéticos, responsável por apurar casos que envolvem órgãos públicos ou tenham alcance nacional e internacional.
Em nota, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil está colaborando com as investigações e que novas informações serão divulgadas após a conclusão dos trabalhos, para não comprometer o andamento do caso.