Durante agenda oficial em Votuporanga, no interior de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas comentou a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Em coletiva de imprensa, o governador afirmou que vê a medida como um avanço no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, organizações criminosas representam uma ameaça à soberania nacional ao exercer controle sobre territórios e impor regras à população.
“A única ameaça à soberania nacional que a gente tem é ter facções que dominam parcialmente o território nacional, onde o estado não entra, onde o criminoso diz de quem vai comprar o gás, a energia, de quem vai comprar a internet. Isso é um absurdo! Essa é uma ameaça à soberania, isso é proteger o criminoso”, disse.
Tarcísio também destacou a importância da cooperação internacional no combate a essas estruturas, avaliando que a iniciativa pode fortalecer ações conjuntas contra o crime.
“Nós demos um passo grande para realmente combater essas organizações criminosas na lógica de cooperação internacional e eu vejo isso com bons olhos”, finalizou.
Ainda em Votuporanga, o governador cumpriu agenda com a entrega de moradias populares. Ao todo, 185 famílias receberam as chaves da casa própria no Conjunto Habitacional Thui Seba, por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
A decisão dos Estados Unidos foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que classificou o PCC e o Comando Vermelho como algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. A designação como organizações terroristas estrangeiras deve passar a valer a partir do dia 5 de junho.
O anúncio ocorreu dias após articulações políticas envolvendo lideranças brasileiras em viagem aos Estados Unidos, incluindo reunião com autoridades norte-americanas.
No Brasil, o tema também gerou repercussão no governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país pretende combater o crime organizado com ações internas e que não aceita interferências externas. Em discurso, reforçou a defesa da soberania nacional.
O Palácio do Planalto também divulgou nota destacando as ações em andamento no combate ao crime organizado e criticando iniciativas que busquem apoio internacional para tratar de questões internas do país.
O debate sobre a classificação das facções e seus impactos segue em destaque no cenário político e de segurança pública.