Três empregadores do noroeste paulista entram na “lista suja” do trabalho escravo

Casos foram registrados em 2025 em cidades da região de Rio Preto; atualização do governo federal também aponta aumento no número de empregadores incluídos.

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Alex Santos
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Três empregadores do noroeste paulista entram na “lista suja” do trabalho escravo
A chamada “lista suja” reúne empregadores autuados por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão - Imagem: Wellyngton Souza/Sesp-MT

Três empregadores com atuação em municípios da região de São José do Rio Preto passaram a integrar a atualização mais recente da chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no dia 6 de abril.

Os casos são resultado de fiscalizações realizadas em 2025 nas cidades de Américo de Campos, Gastão Vidigal e Magda.

O registro com maior número de trabalhadores foi identificado em Gastão Vidigal, onde 29 pessoas foram encontradas em situação irregular em alojamentos ligados a um empregador que atuava no cultivo de cana-de-açúcar. O processo foi concluído em novembro de 2025. A empresa tinha sede em Nova Castilho e atualmente está com cadastro baixado na Receita Federal, indicando encerramento das atividades.

Ainda em Gastão Vidigal, uma empresa de transportes com sede em Buritama foi incluída na lista após fiscalização que identificou cinco trabalhadores em condições análogas à escravidão em alojamentos. O processo foi finalizado em outubro de 2025.

Outro caso envolve um empregador individual, com ocorrências em propriedades rurais de Américo de Campos e Magda, onde três trabalhadores foram encontrados em situação irregular. Os processos também foram concluídos em outubro do ano passado.

A chamada “lista suja” reúne empregadores autuados por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão após a conclusão de processos administrativos, sem possibilidade de recurso. O cadastro é público e atualizado semestralmente, nos meses de abril e outubro. Os nomes permanecem na lista por dois anos e só são retirados se não houver reincidência e a situação for regularizada.

Nesta atualização, o MTE incluiu 169 novos empregadores, um aumento de 6,28% em relação à divulgação anterior. Do total, 102 são pessoas físicas e 67 empresas.

Entre as atividades econômicas com maior número de inclusões estão serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café, construção de edifícios e serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita.

Em Araçatuba (SP), operação do MP e do Ministério do Trabalho, em março de 2026, resgatou 44 trabalhadores - Imagem: MPT e MTE/Divulgação

Casos recentes reforçam a atuação dos órgãos de fiscalização na região. Em março deste ano, uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) em conjunto com o Ministério do Trabalho resgatou 44 trabalhadores, incluindo indígenas, em condições análogas à escravidão na região de Araçatuba. As fiscalizações ocorreram em imóveis localizados em Araçatuba, Buritama, Votuporanga e Floreal.

Em outro caso, registrado em novembro de 2025 em São José do Rio Preto, uma mulher de 32 anos foi presa em flagrante suspeita de manter ao menos três famílias de bolivianos em condições degradantes de trabalho em uma confecção da cidade.