Operação “Fluxo Oculto” mira esquema bilionário de lavagem ligado ao PCC com uso de fintechs e empresas de fachada

Mandados resultaram na apreensão de celulares, computadores e dinheiro em várias moedas; movimentações suspeitas passam de R$ 3,8 bilhões.

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Alex Santos
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Operação “Fluxo Oculto” mira esquema bilionário de lavagem ligado ao PCC com uso de fintechs e empresas de fachada
As investigações apontam que o grupo utilizava uma estrutura financeira considerada sofisticada - Imagem: Receita Federal

O Ministério Público e a polícia deflagraram a operação “Fluxo Oculto”, que cumpriu mandados na quinta-feira (28) contra uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro e ocultar patrimônio com uso de fintechs, empresas de fachada e fundos de investimento, beneficiando indiretamente o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante a ação, foram apreendidos 46 celulares, 41 computadores, passaportes, documentos e valores em espécie em diferentes moedas. Ao todo, foram recolhidos R$ 763.956, além de US$ 76.822, € 13.425 e outras cédulas estrangeiras que somam cerca de 60.780.

As investigações apontam que o grupo utilizava uma estrutura financeira considerada sofisticada. Segundo o Ministério Público, contas em fintechs funcionavam como “contas-bolsão”, concentrando receitas de dezenas de postos de combustíveis em uma única conta. Paralelamente, registros internos chamados de “contas gráficas” separavam os saldos reais, criando camadas que dificultavam o rastreamento do dinheiro.

Ainda de acordo com a apuração, quando havia risco de fiscalização, os investigados transferiam rapidamente os recursos entre diferentes plataformas de pagamento para dificultar a identificação das movimentações. Relatórios indicam transações suspeitas que chegam a R$ 3,86 bilhões.

Ao todo, foram recolhidos R$ 763.956, além de US$ 76.822, € 13.425 e outras cédulas estrangeiras - Imagem: Receita Federal

A operação também teve como alvo empresários, operadores logísticos e pessoas apontadas como “laranjas”, que teriam mantido as atividades mesmo após ações anteriores, como a operação “Carbono Oculto”. Dois investigados, conhecidos como “Primo” e “Beto Louco”, seguem foragidos desde agosto.

Outra frente da investigação apura a chamada “máfia da nafta”, esquema que consistia no desvio de solventes petroquímicos vendidos como gasolina. Segundo o MP, mais de 135 milhões de litros foram desviados em pouco mais de dois anos. Uma única empresa teria emitido mais de 10 mil notas fiscais falsas, somando R$ 1,49 bilhão, com prejuízo estimado em mais de R$ 200 milhões por sonegação de impostos.

Também foi identificada a utilização de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) como última etapa para ocultação de recursos, por meio de operações consideradas fictícias. A Justiça determinou o bloqueio de valores milionários vinculados a esses fundos.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e aprofundar a apuração sobre o esquema. O valor total dos bens apreendidos ainda não foi divulgado pelas autoridades.