Uma mulher de 41 anos, moradora de Fernandópolis, afirma ter perdido cerca de US$ 17 mil após ser vítima de um esquema de fraude imigratória que resultou na prisão de quatro suspeitos na Flórida, nos Estados Unidos.
De acordo com as autoridades, os investigados — também brasileiros — são suspeitos de aplicar golpes contra imigrantes que buscavam regularizar a situação no país. O grupo se apresentava como uma agência completa de serviços de imigração.
A vítima, que preferiu não se identificar, relatou que é casada e tem três filhos. Há cerca de cinco anos, a família decidiu se mudar para os Estados Unidos e iniciou o processo legal de imigração. Para custear o procedimento, chegou a vender a própria casa.

Segundo ela, os primeiros sinais de irregularidade surgiram poucos meses após a contratação do serviço, quando percebeu alta rotatividade de funcionários e dificuldade de comunicação com a empresa.
Os pagamentos eram realizados por meio de uma conta internacional em nome de um dos suspeitos, que, segundo a vítima, não constava no contrato. Ao todo, ela afirma ter perdido mais de US$ 17 mil, valor que havia sido totalmente quitado no início deste ano.
Mesmo após o pagamento, a família não conseguiu avançar no processo imigratório e permanece no Brasil. A vítima também relatou impactos emocionais após o ocorrido.
Entre os presos estão Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva, apontados como responsáveis pela empresa investigada.

Investigação
As apurações tiveram início após denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados da Flórida. Pelo menos sete vítimas já colaboraram com as investigações, mas a polícia acredita que o número de prejudicados seja maior.
De acordo com os investigadores, o grupo explorava o medo de deportação para convencer imigrantes a contratar os serviços. Registros financeiros apontam que o esquema pode ter movimentado mais de US$ 20 milhões em um período de três anos.
A operação que resultou nas prisões foi realizada por autoridades locais com apoio do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. O caso será encaminhado para julgamento por promotores estaduais.
*Com G1 Rio Preto